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Timor-Leste, Díli, 22/03 (Angop) - O presidente timorense, José Ramos-Horta, fez hoje um balanço “extremamente positivo” da sua deslocação oficial à Irlanda e ao Japão, onde recebeu garantias da continuidade do apoio daqueles países ao desenvolvimento de Timor-Leste. “Faço um balanço extremamente positivo”, disse José Ramos-Horta. Ramos-Horta esteve na Irlanda entre 8 e 10 de Março, onde manteu encontros com o governo e com a sociedade civil e recebeu garantia da “continuidade” de Timor-Leste na lista de prioridades do apoio externo da Irlanda. O presidente timorense referiu que a ajuda irlandesa a Timor-Leste se cifra actualmente em cerca de quatro milhões de euros anuais, verba que vai continuar a ser aplicada. Por outro lado, “foi com surpresa” que percebeu existirem na Grã-Bretanha cerca de 16 mil cidadãos timorenses e cerca de mil na Irlanda. “Estão lá quase todos com passaporte português”, sublinhou. Já no Japão, Ramos-Horta esteve reunido com o imperador, chefe do Governo, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa e proferiu um discurso em Hiroshima sobre o desarmamento nuclear e a luta contra a pobreza. “Ao nível dos contactos políticos, obtive o compromisso do Japão na continuidade do apoio a Timor-Leste em áreas como a agricultura e segurança alimentar, infraestruturas como estradas, irrigação de água e saneamento, repovoamento florestal e formação de quadros”, explicou o presidente timorense. Ramos-Horta disse também que recebeu um convite para quatro pessoas para a Academia Naval japonesa que foi aceite e “para onde seguirão ainda este ano os elementos escolhidos”. À margem da visita de Estado à Irlanda e Japão, Ramos-Horta esteve também em Genebra, onde discursou sobre a situação de Timor-Leste no Conselho de Direitos Humanos, tendo reafirmado o compromisso timorenses às Convenções de Direitos Humanos e o “não” do país a um Tribunal Internacional para o crimes cometidos na ocupação e pelas milícias integracionistas indonésias após o referendo. “É verdade que houve uma martirização do povo, mas um Tribunal Internacional não beneficiaria a população, nem a regularização das relações com a Indonésia”, disse. “Um Tribunal Internacional só iria perturbar as relações com a Indonésia e a estabilidade da população e é por isso que eu, o primeiro-ministro e o próprio líder da oposição, Mari Alkatiri, sempre defendemos a busca da verdade e a reconciliação com a Indonésia e dentro da família timorense”, afirmou. Salientou ainda que entre 1975 e 1999 “não foram apenas os indonésios a provocar a violência, mas também muitos timorenses”.
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